domingo, 11 de março de 2012

Diário das Férias de 2012 Parte 1 – A Viagem


Diário das Férias de 2012


Parte 1 – A Viagem

Às 20h50 do dia 27/01, numa porteira
da estrada pra fazenda:
28h de viagem ininterrupta.
 Loucura!
Loucura é pouco para descrever o que fiz com todo o gosto nas minhas férias de 2012. Saí de São Paulo dia 26 de janeiro, quinta-feira, 16h10min da garagem da minha casa em direção ao Rio Grande do Sul. Depois da morte de papai, em setembro do ano passado (2011), fiquei obcecado pela ideia de passar alguns dias sozinho na fazenda onde nasci e vivi até certa idade, e para onde, desde 2007 tenho ido nas minhas férias com papai. O lugar tem uma influência mágica sobre mim, acalmando meu ser e restaurando a comunhão com Deus, sem contar que a estadia nesse local sempre cheira a aventura (pneus furados, água racionada, dormir em barracas por causa da precariedade da casa abandonada, etc.).
A viagem transcorreu bem durante a noite até que percebi um vazamento de água pela tampa do radiador, o que me preocupou bastante, parecia ser válvula termostática. Pela manhã cedo parei numa cidade (Vacaria, RS) e solicitei a um mecânico que retirasse a válvula. Infelizmente o problema não foi sanado. Parei mais uma vez, ainda dentro da cidade e percebi que a tampa do radiador estava com trincas na rosca, as quais causavam a fuga da água quando a pressão aumentava. Fui numa loja de autopeças e comprei uma tampa nova, e o problema foi sanado. Possivelmente nem seria necessária a retirada da válvula termostática se tivesse observado com mais atenção. Continuei a viagem despreocupadamente. Minha meta era chegar à fazenda até às 20h00min, devido aos atrasos, mas não foi possível. Consegui chegar somente às 22h00min. Ainda juntei energia para montar a minha barraca, nos escuros mesmo. Coloquei minhas duas lanternas amarradas à arvore sob a qual faria a montagem, e às 00h30min do dia 28 eu já estava dentro dela confortavelmente. Dentro de alguns instantes o sono tomou conta de mim, e fiquei completamente fora da realidade, entregue aos braços de Morpheu.
Destaques da viagem:
Lanterna de led sobre o capô do carro
na fazenda, ajudando na montagem
da barraca, 22h00 do dia 27/01.
a)      Enquanto passava pela Barra do Turvo (divisa de estados SP/PR) passei por uma das experiências mais interessantes da minha vida. Tirei dos ouvidos o MP3 que estava ouvindo e pensei fortemente em Cristo. Conversei por mais de uma hora com Jesus de uma forma que há muito tempo não fazia. Foi sublime. Relatei-lhe meus problemas, medos e fracassos, minha sensação de impotência diante de algumas situações particulares e meus anseios em relação à viagem de férias. Nota dez.
Balseiro arrumando as tábuas para o
carro poder sair ao final da travessia.
b)     Um dos destaques que antes do início da viagem já estava causando muita curiosidade era o itinerário. Pelo Google Maps e o Earth já havia identificado um atalho que reduziria a viagem direto à fazenda em 150 km, pelo menos. O inconveniente é que havia um trecho de uns 20 km, pelo menos, que me era desconhecido, entre Santaninha da Boa Vista (RS) e a balsa da divisa entre este município e o de Pinheiro Machado, no qual se situa a propriedade de minha família. Da balsa pra frente eu já conhecia. Com alguma luta consegui chegar até a balsa, foi uma experiência incrível. O balseiro, Seu Jadir, gente boníssima, usa os próprios braços para tracionar a estrutura de madeira, por meio de uma corda. Fiz questão de filmar a travessia, e entrevistei o balseiro, que me tratou com muito respeito, educação e um sorriso maravilhoso de gente humilde.
c)      Após a saída da balsa senti como se minhas forças tivessem renascido, como se eu estivesse iniciando a viagem naquele momento. Eram aproximadamente 19h20 quando os pneus do meu Mille Fire tocaram a terra firme do outro lado. Rever as colinas, a estrada conhecida, sobre a qual já andara muitas vezes causou-me uma sensação muito agradável, apesar de estar dirigindo ininterruptamente há 27 horas. Fiz algumas filmagens no percurso de 50 km da balsa até a fazenda, e realmente posso dizer que valeu a pena mesmo. Deixo um destaque especial para um depoimento sob a luz do por-do-sol no local chamado "Esquina da Sorte".

d)     Quando estava já dentro da minha barraca, com o colchão já inflado, agradeci muito a Deus num vídeo que fiz questão de gravar sob a luz da lanterna. Repentinamente o corpo cobrou o cansaço e o déficit de sono de mais de 28 horas ininterruptas de aventura, e caí exausto sobre o colchão, e literalmente esqueci a máquina filmando. Quando acordei pela manhã, lá pelas dez e tantas, a filmadora flagrou minha cara amassada, meus bocejos, e só então a desliguei. Depois editei o vídeo e deletei as várias horas de sono, deixando somente a parte do flagrante do homem se acordando.




Nenhum comentário:

Postar um comentário