Diário das Férias de 2012
Parte 1 – A Viagem
| Às 20h50 do dia 27/01, numa porteira da estrada pra fazenda: 28h de viagem ininterrupta. Loucura! |
Loucura é pouco para descrever o que fiz com todo o gosto
nas minhas férias de 2012. Saí de São Paulo dia 26 de janeiro, quinta-feira,
16h10min da garagem da minha casa em direção ao Rio Grande do Sul. Depois da
morte de papai, em setembro do ano passado (2011), fiquei obcecado pela ideia
de passar alguns dias sozinho na fazenda onde nasci e vivi até certa idade, e
para onde, desde 2007 tenho ido nas minhas férias com papai. O lugar tem uma
influência mágica sobre mim, acalmando meu ser e restaurando a comunhão com
Deus, sem contar que a estadia nesse local sempre cheira a aventura (pneus
furados, água racionada, dormir em barracas por causa da precariedade da casa
abandonada, etc.).
A viagem transcorreu bem durante a noite até que percebi um
vazamento de água pela tampa do radiador, o que me preocupou bastante, parecia
ser válvula termostática. Pela manhã cedo parei numa cidade (Vacaria, RS) e
solicitei a um mecânico que retirasse a válvula. Infelizmente o problema não
foi sanado. Parei mais uma vez, ainda dentro da cidade e percebi que a tampa do
radiador estava com trincas na rosca, as quais causavam a fuga da água quando a
pressão aumentava. Fui numa loja de autopeças e comprei uma tampa nova, e o
problema foi sanado. Possivelmente nem seria necessária a retirada da válvula
termostática se tivesse observado com mais atenção. Continuei a viagem
despreocupadamente. Minha meta era chegar à fazenda até às 20h00min, devido aos
atrasos, mas não foi possível. Consegui chegar somente às 22h00min. Ainda
juntei energia para montar a minha barraca, nos escuros mesmo. Coloquei minhas
duas lanternas amarradas à arvore sob a qual faria a montagem, e às 00h30min do
dia 28 eu já estava dentro dela confortavelmente. Dentro de alguns instantes o
sono tomou conta de mim, e fiquei completamente fora da realidade, entregue aos
braços de Morpheu.
Destaques da viagem:
| Lanterna de led sobre o capô do carro na fazenda, ajudando na montagem da barraca, 22h00 do dia 27/01. |
| Balseiro arrumando as tábuas para o carro poder sair ao final da travessia. |
c)
Após a saída da balsa senti como se minhas
forças tivessem renascido, como se eu estivesse iniciando a viagem naquele
momento. Eram aproximadamente 19h20 quando os pneus do meu Mille Fire tocaram a
terra firme do outro lado. Rever as colinas, a estrada conhecida, sobre a qual
já andara muitas vezes causou-me uma sensação muito agradável, apesar de estar
dirigindo ininterruptamente há 27 horas. Fiz algumas filmagens no percurso de
50 km da balsa até a fazenda, e realmente posso dizer que valeu a pena mesmo. Deixo um destaque especial para um depoimento sob a luz do por-do-sol no local chamado "Esquina da Sorte".
d)
Quando estava já dentro da minha barraca, com o
colchão já inflado, agradeci muito a Deus num vídeo que fiz questão de gravar
sob a luz da lanterna. Repentinamente o corpo cobrou o cansaço e o déficit de
sono de mais de 28 horas ininterruptas de aventura, e caí exausto sobre o
colchão, e literalmente esqueci a máquina filmando. Quando acordei pela manhã,
lá pelas dez e tantas, a filmadora flagrou minha cara amassada, meus bocejos, e
só então a desliguei. Depois editei o vídeo e deletei as várias horas de sono,
deixando somente a parte do flagrante do homem se acordando.
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