quarta-feira, 7 de março de 2012

Parte 3: Uma Companhia Especial

Entretanto, no dia 8 de fevereiro, ao retornar para a velha fazenda, levei comigo um parente com quem não tinha muita afinidade, e esteve comigo até o dia 11: meu sobrinho Deivid, de 26 anos, e minha irmã Sônia, que precisou ir de ônibus no dia seguinte.
Meu sobrinho Deivid Furtado de Souza e Minha irmã, Sônia
Esse menino cedo já começou a viajar, morou em Florianópolis, Curitiba e outros lugares. Ultimamente andou tendo alguns problemas com dependência química, e esteve alguns meses internado numa Clínica especializada em Rio Grande (RS). Pensei algumas vezes antes de convidá-lo a estar comigo uns dias, mas pensei em que Deus é superior a qualquer cuidado humano, e está interessado na salvação e enobrecimento de todos os membros da família humana neste planeta. O lado interessante é que eu poderia ser usado por Ele para influenciar meu sobrinho.
A viagem foi muito divertida. O garoto já tinha tido uma experiência espiritual na igreja Assembleia de Deus, e entendia alguma coisa da Palavra. Ele cresceu distante de mim, porque quando deixei minha cidade, em 1995, ele tinha apenas 9 anos, e pouco contato tivemos desde então. Devido a isso, eu era quase um desconhecido para ele, em questão de opiniões, pontos de vista e religiosidade, mais desconhecido ainda. Ele sabia que eu era religioso de longa data, mas nunca conversou a respeito. Na viagem, cobriu-me de perguntas a respeito da Palavra, foi bem legal trocar ideias.
A chegada foi marcante. Logo que tiramos as malas do carro, preparamos as roupas e descemos ao riacho para tomar um banho refrescante. Prontamente negou a possibilidade e resolveu aderir ao meu hábito. Dentro do riacho conversamos mais um pouco sobre a Palavra, o assunto estava rendendo. Voltamos às barracas, jantamos, e saímos para dar uma caminhada sob a luz do luar. A lua estava quase cheia, e proporcionava luminosidade muito diferente da que estamos acostumados a ver na cidade grande quando ela aparece (na verdade poucos a veem numa noite de cidade grande). Isso impressionou o menino, e o assunto ia prosseguindo. Lá pela meia-noite, ajudei-o a inflar seu colchão de ar, e ao final, estava suando em bicas. Nesse momento, arrisquei e propus: “Deivid, vamos descer ao riacho e tomar um banho?” Qual não foi minha surpresa quando o ouvi dizer: “É claro, tio. Vamos nessa!” Então arrematei: “Como está quente e abafado, vamos só levar as toalhas para que não sue na volta, ao subir esta ladeira”. E ele disse: “Ah, se é assim, vou fazer como o senhor”. E assim foi. Descemos às gargalhadas em direção ao riacho, comentando entre altos risos qual seria a reação de caçadores clandestinos de tatu (na hipótese de estarem nos campos e passarem próximos a nós) se nos vissem do jeito que estávamos. Foi um riso descontraído. Ficamos de molho na água até às 2h00min, e mais de 90% do tempo que ali passamos foi falando sobre a Palavra. Em seguida voltamos tranquilamente e fomos nos acomodar nas barracas. O garoto dormiu como uma criança até às 11h00min do outro dia.
Assim foram os dias que passamos juntos. Senti-me feliz por ter sido útil à causa do Mestre ajudando de certa forma esse garoto. Além de nos conhecermos melhor, consegui deixar uma ótima impressão da Palavra de Deus na vida dele. Foi daquelas viagens que dificilmente alguém esquece. Atualmente o missionário local, Flávio Serafim, está dando continuidade aos estudos bíblicos. No domingo, dia 12, deixei-o em Candiota, na Vila Operária, para tomar o ônibus para Bagé juntamente com sua mãe. Eram mais de 5 horas da tarde, e era hora de voltar, agora sozinho, à velha fazenda, sessenta quilômetros de distância. A expectativa era grande, ficar vários dias a sós com Deus. Como seria? Era o que eu estava para descobrir.

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